De madrugada o homem dilui seus sonhos em aguardente:
O aro perdido era o elo que faltava entre mim e ti. Há de ser assim porque sempre foi assim. Metem-se nos dedos, enrosquem-se pelos sentimentos, atarracam-se pelos corpos e se perdem por alguns instantes.
Eu continuo perdido, você não chega. Filho da puta de vida que vai a passos largos! Quando você vier trará o aro perdido, de ouro... belo, reluzente. Depois virá também a felicidade, dias suportáveis... planos para o futuro. Depois também virá do seu útero partes de nós atadas numa mesma fita, nossos genes... entrelaçados todos, embebidos numa sopa serão pão e vinho e uma alma novinha em folha virá do infinito até você, e amadurecerá em você geradora, um pequeno anjo de olhos azuis, da cor dos seus.
O aro perdido enquanto ficar perdido nada nada acontecerá, só a vida passará, só a vida passará. Nem elo, nem filho da puta, nem enlevo, nem anjo nem olhos azuis.
Eu acordo cedo beijo-te a face... vou trabalhar. A tarde chego beijo-te a face, deito leve porque a vida é leve. Uma hora ou outra, ou quando queira, vamos de mãos dadas e dentes cerrados...e de carne em carne nos entorpecendo... e de veia em veia tecendo você inteira, viva, até o coração pulsador, frenético, num ritmo cósmico os dois, numa frequência única com o todo. Eu não sei se eu sou eu ou sou você. De lá eu vejo o mundo assim... eu não ando, eu voo. Você é azul e clara, resplandecente.